Rio de Janeiro, 15 de fevereiro de 2012.
Oi... Quanto tempo não nos falamos, não é?
Olha, o céu está perfeito hoje, acho que é a única coisa que gosto nestes dias quentes de verão. Daqui não dá pra ver direito, por causa das luzes que cercam tudo. Porém, agora de madrugada, se eu apagar as luzes do quintal e da cozinha, consigo enxergar um pouco melhor. As estrelas parecem vaga-lumes, e se eu ficar muito tempo olhando, com a cabeça levantada, principalmente se eu piscar algumas vezes, elas parecem se mover, como se dançassem nessa profunda escuridão do céu. Elas não são tão brilhantes quanto o dia que as vi naquele lugar distante daqui, meio vazio e tranquilo, que fui em algum dia de uma vida passada, mas elas têm estado especialmente belas nos últimos dias, nem parecem ofuscadas com as luzes da cidade, como normalmente estão. Queria um dia poder vê-las de um lugar completamente desabitado, sem luz e esquecido pela humanidade. Elas devem brilhar tanto, não é, meu amor?
E eu acho que enxergaria estrelas impossíveis de se ver daqui, e o céu deve ser tão brilhante que deve até inibir meu medo de estar sozinha. E este lugar... ele teria que ter grama, daquela bem macia e úmida, sabe? Pra eu deitar de barriga pra cima, e ficar olhando-as, brilhantes, quietas. Posso até sentir a brisa fresca deixando meu rosto frio, meu nariz gelado. O vento está quase assim aqui, agora. É uma pena você não poder estar aqui comigo, teríamos uma conversa tão agradável, eu te perguntaria se ia querer vir comigo para esse lugar esquecido, para vermos as estrelas, você viria, não viria, amor? Eu não precisaria mais sentir medo de estar sozinha... porque você estaria ali, comigo, do meu lado. Falaríamos como, mesmo minguante, a lua está com uma luz forte e penetrante, para não ser deixada de lado e ficar para trás das estrelas, afinal ela é a dama da noite e não pode decepcionar seus amantes. Conversaríamos sobre nossos amigos, iríamos rir das idiotices que eles falam e das besteiras que fazem. Comentaríamos sobre jogos, o RPG dos finais de semana, que é o nosso futebol, concorda? Ou, simplesmente, ficaríamos em silêncio, olhando o céu, dialogando apenas com trocas de olhares, mãos entrelaçadas ou então com você apertando minha perna de vez em quando, como sei que adora fazer, não é, meu anjo?
[Continua...]
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