terça-feira, 14 de agosto de 2012

Alice

Ela anda, sorridente. Caminha como se o mundo fosse seu.
Com um vestido azul, longo, ela corre, saltitante.
Não se importa com o mundo, com o que os outros pensam.
Ela simplesmente ignora. E sua vida?
Não são flores, mas ela não reclama.
Por que?
Porque ela está longe, muito longe daqui.
Como uma Alice pós-moderna, ela nos abandonou.. abandonou este mundo.
Cinza, cruel, injusto.
Vive em seu próprio país das maravilhas.
Onde as pessoas não a acham esquisita, onde não há obrigações
ou leis corruptas.
Um lugar com montanhas, árvores, rios... e neve!
Você quer saber se este mundo existe?
Bem... É difícil dizer.
Na verdade, ele existe sim. Mas só em sua imaginação.
Mas ela não quer dividí-lo.
Vocês o destruiriam, como fizeram com este mundo aqui.
Egoismo? É, talvez. Mas ela prefere assim.
Ela lhe parece distante, morta, louca?
Um pouco de cada, eu acho.
E por fim, eu digo:
Ela.. Bem, ela sou eu.
E no meu mundo. Eu vou bem, obrigada.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Tudo Em Seu Lugar.


Calma, não se preocupe.
Não há nada errado,
Está tudo como sempre esteve.

Meu coração dói, chora,
Gritando por ajuda.
Mesmo sabendo que
Ninguém pode ouvir.

E quem o podia ouvir
Estava cansado, ocupado.
Cuidando de suas próprias
feridas,
Suas próprias dores e mágoas.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Simples demais para serem notadas. [Parte 1]

  Rio de Janeiro, 15 de fevereiro de 2012.

Oi... Quanto tempo não nos falamos, não é?
Olha, o céu está perfeito hoje, acho que é a única coisa que gosto nestes dias quentes de verão. Daqui não dá pra ver direito, por causa das luzes que cercam tudo. Porém, agora de madrugada, se eu apagar as luzes do quintal e da cozinha, consigo enxergar um pouco melhor. As estrelas parecem vaga-lumes, e se eu ficar muito tempo olhando, com a cabeça levantada, principalmente se eu piscar algumas vezes, elas parecem se mover, como se dançassem nessa profunda escuridão do céu. Elas não são tão brilhantes quanto o dia que as vi naquele lugar distante daqui, meio vazio e tranquilo, que fui em algum dia de uma vida passada, mas elas têm estado especialmente belas nos últimos dias, nem parecem ofuscadas com as luzes da cidade, como normalmente estão. Queria um dia poder vê-las de um lugar completamente desabitado, sem luz e esquecido pela humanidade. Elas devem brilhar tanto, não é, meu amor?